Desemprego nunca esteve tão baixo e nunca fiquei tão dependente dos funcionarios.

Tenho escrito vários artigos das dificuldades de encontrar mão de obra qualificada por um preço não muito acima dos praticados em anos anteriores. Os funcionários e sindicatos exigindo salários muito mais altos do que pouco tempo atrás, enquanto os preços dos meus produtos pouco subiram.

Estou passando especificamente esta semana com um problema que se repete cada vez com mais frequência. Funcionários arrumando brigas com seus colegas “desafetos”, estou recebendo vários tipos de atestados médicos (que não posso recusar) por mais absurdo que pareçam, faltas não justificadas, atrasos, pouca dedicação e corpo mole.

Contratamos uma funcionaria há vários dias que ate hoje fica inventando desculpa para não trazer a carteira de trabalho para registro. Quando a empresa não devolve a carteira de trabalho em 48 horas, pode tomar todo tipo de multa, agora funcionário que desobedece leis nunca acontece nada. A primeira dica que todos me falam seria dispensar a funcionaria já que ela não esta respeitando a lei, ou mandar os funcionários encrenqueiros embora. Mas dependemos tanto deles, seja pelo conhecimento e entrosamento adquirido ao longo dos anos, ou mesmo pelo trabalho de contratar outra pessoa e treina-la. Em suma, ruim com eles, pior sem eles. O que adianta mandar embora e contratar outro que vai ser igual ou pior… São funcionários que ficam pingando de empresa em empresa, nunca permanecendo por mais de 1 ano em cada emprego, achando que vai ter alguma empresa “melhor” que vá pagar mais ou oferecer condições muito diferentes.

Isso atingiu um nível epidêmico que deixa a maioria das pequenas e medias empresas do Brasil muito pouco produtivas, com funcionários descontentes, formando um circulo vicioso de baixos lucros e baixos salários enquanto o custo de vida de toda população aumenta de maneira galopante.

O Brasil está cheio de nem-nem. Nem estuda, nem trabalha. Isso significa mão de obra ociosa e desqualificada.

A falta de mão de obra no Brasil esta crítica. Mesmo a mão de obra desqualificada não se encontra mais e pedem salarios muito maiores do que tempo atrás. Pessoas que param de estudar depois de concluir o segundo grau, quando concluem ! Quando eu vejo uma noticia que o Brasil tem um quinto de jovens nem-nem, entendo um dos porquês. Vivem como se não precisassem trabalhar, não querem estudar nem se preparar, nao tem ambição de crescer na vida… uma desmotivação nata sobrevivendo do jeitinho brasileiro. Não sei se essas pessoas não querem trabalhar para serem sustentados pela familia, pelo marido ou pelas bolsas do governo. Uma pessoa que não estuda nem trabalha que não conseguiu emprego até seus 30 anos, provavelmente não vai conseguir ou querer trabalhar, afinal depois dos 30 anos, as pessoas sem experiência não vão receber boas propostas de emprego e vão dizer que “não querem se sujeitar” a isso. Pensando que cada ano que passa, o mundo fica mais competitivo, mais pessoas entram para o mercado de trabalho, mais chineses nascem… e o Brasil ficando para trás novamente vendo uma noticia dessas. Depois brasileiro reclama que o Brasil não evolui, ganha pouco e não tem perspectiva de crescimento. Isso vira cada vez mais verdade, até não ter mais volta e o brasileiro vai ter que ralar cada vez mais para sair do buraco.

http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2013/11/29/um-em-cada-cinco-jovens-de-15-a-29-anos-nao-estuda-nem-trabalha-diz-ibge.htm

Apagão de mão de obra no Rio. Faltam 5.000 padeiros. Quantas vezes já ouvimos isso.

A cidade do Rio de Janeiro está com falta de padeiros. Estimam que este apagão de mão de obra representa entre 3.000 e 5.000 vagas abertas nas padarias. A reportagem cita a difícil condição dos padeiros que trabalham em horários complicados, que realmente todos sabemos.

Se padeiro está em falta, imagina outras áreas mais técnicas em que a formação do profissional leva de 2 a 5 anos. Digo isso pois minha industria não consegue encontrar profissionais qualificados e acabamos contratando quem aparece mesmo sem conseguir entregar o que precisamos, nem atender corretamente o cliente, tapando buraco. Este aprendizado leva muito tempo e não temos motivos para dar aumentos salariais para quem não tem formação na área e acaba sendo ineficiente por isso. Estes acham que são “engenheiros” mas não tem nem o curso “técnico” e se sentem injustiçados pelos baixos salários.

Os padeiros estão preferindo trabalhar na construção civil que está pagando mais. A dificuldade é que as empresas e padarias não tem condições de aumentar salários. Todos sabemos que o mercado de imóvel e construção está aquecido e como estão ganhando fortunas com imóveis, os salários dos trabalhadores aumentam.

A população é a favor de aumentos salariais e sindicatos fortes pressionando aumentos salariais, mas não querem pagar mais caro no pão nosso de cada dia.

Para a indústria fica ainda mais difícil. Como aumentar salários e custos se os produtos importados estão entrando com tudo no Brasil. Mesmo com o dólar subindo, ainda assim nossas indústrias estão sofrendo bastante… seja com a alta produtividade, eficiencia e qualidade da Europa e Estados Unidos, ou também, os preços extremamente baixos da China.

Isso é a livre concorrência. Mercados mais lucrativos aumentam salários (neste caso a construção civil), enquanto outros são obrigados a reduzir custos, cortar salários e funcionários. Sempre vai haver certas profissões mais valorizadas com salários mais altos e outras profissões com salários mais baixos. Ocorre que os trabalhadores e sindicatos não aceitam esta livre concorrência e saber que existem momentos de alta e outros de baixa. Nessas baixas, empresas quebram e/ou demitem em massa.

http://odia.ig.com.br/noticia/economia/2013-06-18/padarias-do-rio-sofrem-apagao-de-mao-de-obra.html

Brasil penúltimo em ranking de educação. Por isso que está impossível encontrar funcionários qualificados.

Mais um ranking evidencia o péssimo sistema educacional do Brasil. Penúltimo entre 50 países é ruim demais. Por isso, está impossível encontrar mão de obra qualificada. Está muito difícil contratar. Como não tem pessoal qualificado, as empresas estão contratando o que tem, e não o que gostariam ou o que precisam.

Ajudante geral e pessoas para serviços braçais existe de monte. O desemprego no Brasil está super baixo. Então mesmo quem tem pouca qualificação está super valorizado. Quem precisa contratar novos funcionários, não consegue encontrar profissionais ganhando a mesma faixa salarial de pouco tempo atrás. Os currículos de pessoas boas que recebo, já estão empregadas e/ou pedindo muito acima da média. Os currículos que sobram são pessoas morando muuuito longe e com grande rotatividade… ou seja, pessoas que não ficam mais de 6 meses em cada emprego. Isso significa que a pessoa não é boa ou fica “pulando muito de galho em galho”.

Sabemos também que existe dezenas de faculdades que não ensinam nada e formam analfabetos funcionais. Essas pessoas são enganadas pois gastam fortunas mas não saem preparadas. Ou seja, são funcionários que acham que merecem altos salários, mas na realidade não estão preparados para nada. São ajudantes gerais com diploma comprado.

Empresas como a minha não tem condições de acompanhar esta valorização dos salários pois meus preços de venda não subiram… pelo contrário, abaixaram meus preços pois a concorrência só aumenta e os importados também. Vejo empresas pequenas como a minha e também grandes empresas (algumas multinacionais) contratando pessoas totalmente despreparadas para ocupar cargos de supervisão… colocando pessoas sem conhecimento técnico para operar equipamentos completos ou fazer manutenção básica em máquinas. Sempre achei a melhor alternativa, contratar pessoas jovens e treiná-los por anos para ter pessoas qualificadas, pois se for depender da educação fora da empresa está difícil (nessas horas eu digo que o governo joga mais uma vez a responsabilidade para as empresas de arcar com custos de educação).

Pessoas comprometidas, interessadas e capacitadas para aprender está cada vez mais raro.

http://veja.abril.com.br/noticia/educacao/brasil-aparece-em-penultimo-em-ranking-de-educacao