Impressiona o número de empresas que fazem economias burras, mesmo tendo dinheiro em caixa!

Este artigo é para aquelas empresas e empresários muquiranas que já tem sua empresa aberta há vários anos e pensam sempre em economizar em tudo, optando sempre pelo preço e nunca pela qualidade. Essa mentalidade de brasileiro tem que mudar para aqueles que querem crescer sua empresa mais rapidamente, com mais lucro e satisfação dos seus funcionários e clientes.

Sempre optei por vender, importar e/ou fabricar produtos de qualidade superior, e portanto e inevitavelmente um pouco ou muito mais caros. Infelizmente vejo empresários e compradores (de pequenas, médias e grandes empresas) que compram sempre os produtos de preço mais baixo, muitas vezes sem fazer a menor ideia ou se interessar em entender a diferença do produto com melhor qualidade, mesmo com dinheiro em caixa sobrando.

Eu também, como pequeno empresário, notei que meu negócio começou a trazer melhores resultados quando comecei a comprar qualidade e não preço. Comecei minha empresa do zero e com pouco dinheiro. Nesta situação, optar pelo mais barato é inevitável por falta de dinheiro mesmo. E quando compramos o mais barato, temos que trabalhar em dobro, produzimos com pouca eficiência, paradas ou quebras mais frequentes, menor qualidade do produto final, etc. O barato sai caro, e por isso (e muitos outros fatores), o começo de qualquer empresa é tão difícil. Nesta fase, alugamos o imóvel mais barato, contratamos o funcionário mais barato, gastamos somente naquilo que é extremamente necessário, fazemos vários tipos de gambiarras para ter o que precisamos sem gastar dinheiro.

O grande problema é que muitos desses empresários crescem sua empresa (com muito mérito), mas continuam com a mentalidade muquirana, se achando super-heróis sempre que conseguem fazer uma gambiarra para economizar alguns centavos. E essa mentalidade também se estende a grandes empresas e multinacionais. Nestas horas é que o empresário tem que mudar sua atitude, mentalidade de pequeno empresário de inicio de carreira e pensar grande. Isso envolve gastar mais dinheiro, tirar aquele dinheiro suado que está reservado na “imexível” poupança, contratar mais funcionários, delegando novas funções. Nesta hora, o empresário faz-tudo, o “se vira nos trinta” é obrigado a arriscar mais uma vez e avaliar com cuidado onde investir e gastar mais dinheiro. Muitas pessoas não conseguem fazer esta transição: continuam preferindo a gambiarra ao estilo brasileiro ao invés de contratar serviço especializado, preferem viver emendando fio elétrico do que fazer uma reforma elétrica maior, não gastam nada em manutenção preventiva, vivendo aquele risco constante da empresa poder parar a qualquer momento por diversos motivos e problemas, e por mais que falemos, elas se acham certos por economizar (pois não conseguem imaginar nem enxergar outra forma).

Quero dizer o seguinte: quando estiver sobrando um dinheiro, compre um computador melhor de marca (Dell por exemplo). Você ou seu funcionário vai render muito mais com um computador rápido (quanto custa seu tempo e de seu funcionário ao longo dos anos comparado com o custo a mais de um Dell?), e não terá dor de cabeça com manutenção por pelo menos 5 anos. Na sua indústria, compre ferramentas de qualidade: não existe nada mais irritante do que ter que usar uma chave phillips desgastada que estraga a cabeça do parafuso e leva horas pra desmontar uma máquina, ou aquele jogo incompleto de chaves que sempre falta ferramenta. Comece a considerar contratar funcionários “mais caros”: além de ter pessoas mais satisfeitas com seus salários se sentindo valorizadas, elas vão render muito mais (do que aquele funcionário que ganha 1 salário mínimo) e serão fieis a você, sem ter alta rotatividade tendo que ficar a vida inteira treinando um novo funcionário. Essa lógica funciona para muitas coisas: gastando mais, aumenta-se a produtividade, vida útil e resultados/lucros. Isso vale também para investimentos no bem-estar dos funcionários que se tornam mais felizes e produtivos. Isso tem um efeito multiplicador e vira um círculo “virtuoso” incrível. Essa é a mentalidade de empresas americanas e europeias de sucesso. Ou você pode fazer igual a maioria das empresas brasileiras e empresários que remam e nunca saem do lugar, pois fazer algo barato, sem qualidade e que funciona meia boca é fácil e tem já muita gente para isso (sempre vai haver muita gente dando o sangue, trabalhando igual ou mais que você e com pouco dinheiro querendo seu espaço e concorrendo com os produtos de baixo custo e baixa qualidade). Gaste um pouco acima da média, (faça parte da minoria) e se diferencie no mercado, sendo mais eficiente com mais qualidade e lucrando mais. Não tem como produzir com qualidade no longo prazo com confiabilidade sendo muquirana em tudo. Muitas vezes gastando um pouquinho a mais, você tem benefícios muito maiores.

Estou desistindo de ter industria com tanta dor de cabeça e baixos lucros. Revender é mais facil e lucrativo.

Infelizmente manter uma indústria no Brasil virou missão quase impossível. A indústria tem todas dores de cabeça com maquinário, necessidade de atualização tecnológica, concorrência internacional principalmente chinesa, certificados, alvarás, peões de fabrica desmotivados e sempre pedindo aumento, etc. Quando levantamos todos os custos diretos e indiretos e vários outros ocultos que não rateamos, descobrimos que os números não fecham, ou seja, movimentamos muito dinheiro mas o lucro dificilmente aparece. Quantas vezes minha maquina não parou e perdi pedidos e ouvi um monte do cliente… Os custos das matérias primas variam todos os meses, precisamos controlar perdas, manutenções preventivas nos equipamentos, dificuldade enorme de repassar qualquer aumento, o próprio ambiente de trabalho é mais bruto.

Do outro lado, tenho meus revendedores e distribuidores. Eles recebem a caixa fechadinha e bonitinha, pronta pra sair. Se meu preco esta fora, basta ligar pra outro e na mesma semana muda de fornecedor. Se alguém lanca um produto novo, o revendedor não tem qualquer custo para fazer a troca. Se for uma empresa maior, eles ate podem colocar a marca própria. Ou seja, o fabricante passa anos se matando e o revendedor leva a fama e fica com a marca consolidada.

Por isso, passei também a revender produtos e importar. A planilha de custos fica fácil de fazer com bem menos variáveis. Para ter o custo do produto basta ver a nota fiscal de entrada e considerar alguns impostos. A revenda se foca na área comercial e marketing, pode ficar num escritório bonito no ar condicionado, muito menos, digamos assim insalubre. Depois que o seu produto emplaca no mercado, basta ficar tirando pedido e fazendo a logística. Com certeza uma revenda tem vários outros desafios, mas vejo que a indústria tem muito mais problemas pois junta os desafios da revenda (pois mesmo os fabricantes precisam gastar com área comercial e marketing) além das dificuldades de fabricar um produto.

Eu particularmente tenho tido muito mais lucro (e menos trabalho) na minha linha de revenda do que fabricação própria.

Que paradoxo: as leis no Brasil são super complexas e infinitas, mas nenhuma empresa tem lucro suficiente para contratar assessoria de advogados.

Tive um problema com a “malha fina” do imposto de renda/receita federal e fui solicitar uma orientação “sem custo” de um advogado tributarista. Ao contrário dos médicos, os advogados pelo menos não cobram nada para analisar um caso. Nada contra médicos, nem advogados, mas sabemos que o serviço de ambos é muito caro (pelo menos a maioria dos bons médicos e advogados).

No final da visita, comentei com o advogado que eu era empresário, e a partir daí ele começou a me “assustar” mencionando várias leis novas e resoluções do senado que entraram em vigor em 2013. Ou seja, as leis mudam radicalmente da noite para o dia, e nós, empresários, não temos como nos manter informados, nem se adequar as mudanças. Descobri que todos os meus produtos que compro e vendo terão os impostos alterados, sendo eu responsável por saber profundamente todos os benefícios e impostos pagos também pelos meus fornecedores. Cito apenas alguns casos que envolvem quase todos meus produtos: substituição tributária e ICMS sobre importados. Estes dois assuntos já deixam qualquer um de cabelo em pé. O advogado comentou que criminoso que mata não vai preso, mas se a gente recolhe um imposto errado ou preenche um formulário incorreto, podemos ir para prisão a qualquer momento.

Neste caso, posso afirmar 100% que sou um criminoso, afinal, é impossível conseguirmos seguir todas as leis, resoluções e mudanças constantes da lei. Por isso que fiscal é tudo corrupto, senão, precisaria prender todo mundo: empresário, contador, gerentes, etc.

Nem cheguei a perguntar quanto custaria uma consultoria da empresa dele, mas posso dizer que a grande maioria das empresas não tem nem R$3.000 sobrando para receber uma consultoria permanente de advogados. Tive a sensação que esta consultoria iria custar pelo menos o dobro com ele. Só podemos apagar fogo, ou seja, contratamos advogado depois que recebemos uma notificação judicial, depois que a merda acontece.

Eu já pago quase dois salários minimos para ter uma contabilidade, e mesmo considerando minha contabilidade boa, eles não tem condições de me manter informado das coisas. Afinal cada produto de cada cliente dele tem que seguir leis e impostos diferentes. Infelizmente quando tenho uma duvida sobre importação, meu contador manda eu falar com o despachante aduaneiro, e o despachante manda eu falar com o contador. Ou seja, o empresário fica sem resposta e acaba fazendo de qualquer jeito. Claro que uma consultoria de advogados me salvaria, mas se for contratar consultoria para tudo que recomendam, eu precisaria pagar uma consultoria tributaria, uma trabalhista, uma empresarial, ou seja, empresário no Brasil precisa de infinitas consultorias.

Se fosse para seguir todas as leis e fazer o certo, todos deveriam contratar advogados para cargos de Vendedor, Comprador, RH e até para emitir notas fiscais. Imagina só… a “mocinha que emite nota fiscal” não pode ser mais aquela estagiária ou auxiliar de escritório… tem que ser uma contadora ou advogada experiente… sabemos que isso é praticamente inviável e/ou impossível. Minha vendedora atualmente trabalha com tanta tabela e calculo de impostos que fico até com pena, ela fica perdidinha, afinal, cada estado trabalha com impostos diferentes e vendemos diferentes tipos de produtos (cada um com sua fórmula e tabela).