Desvalorização do real num país com a indústria quebrada que depende totalmente de importações e é incapaz de exportar.

O Brasil não consegue mesmo estabilidade no longo prazo !! Todo ano que entra é uma surpresa e dúvida. Parece que nunca é a hora ideal para investir: seja na ampliação da empresa ou do pequeno empreendedor iniciar seu negócio. Então por isso todos dizem que tem que ter muito culhão para abrir uma empresa e assumir riscos totalmente imprevisíveis.

Este ano não é novidade para ninguém que o Dolar e o Euro (e todas outras inclusive o peso da afundada Argentina) dobrou de valor. Como a indústria nacional está quebrada, tudo que é comercializado no Brasil é feito em grande parte de peças e matérias primas importadas. Resultado: todos os produtos mais cedo ou mais tarde vão duplicar de preço.

As empresas (principalmente as pequenas e médias) não conseguem duplicar o preço dos seus produtos na mesma velocidade do dólar (pois não podem perder venda). Todo mês as empresas são obrigadas a recalcular custos, e isso para os pequenos empresários torna-se uma tarefa muito complexa pois os cálculos de custos fixos, variáveis e tudo mais é muito complexo. Quando percebem, estão vendendo no preço de custo. Empresas que possuem contratos anuais com preço fixo quebram nestas horas ou abaixam as calças. Os últimos anos de certa estabilidade causou a falsa impressão que poderíamos fechar contratos com preços fixos por 12 meses.

Por outro lado, seria este o momento ideal do Brasil multiplicar as exportações, afinal nossos produtos ficaram com preços baixos para outros países. Infelizmente como nossa indústria está quebrada ou obsoleta, nossos produtos também são obsoletos e dificilmente vão ter condições de concorrer em grandes mercados como Estados Unidos e Europa. Tem a questão de nossas matérias primas serem importadas e o custo Brasil alto. Resultado: nossos produtos não tem qualidade e não chegam com preços assim tão baixos lá fora.

Obviamente as commodities fazem a festa. Infelizmente isso é tudo o que o Brasil consegue oferecer lá fora: produtos agrícolas e minérios com baixo valor agregado. Desmatamos o país inteiro para conseguir alguns centavos de lucro na venda de soja, café, laranja, carne, etc. Ainda assim, como exportamos zilhões de toneladas, a balança comercial fica positiva. Mas note que fica na mão de grandes multinacionais que dominam estas commodities. Pequenas e médias empresas não aparecem nestas estatísticas, salvo raríssimas exceções que inovam e fazem mágica (e esses pequenos que dão certo na vida são a “elite exploradora”). A única frase de consolo nestas horas: é nas maiores crise em que aparecem as melhores oportunidades.

Nem todo produto chinês é ruim. O importador traz o que o consumidor procura!

Na China, existem produtos de péssima qualidade, mas também existem produtos de boa e ótima qualidade. Um mesmo fabricante oferece diferentes padrões de qualidade. Se a imagem do produto chinês no Brasil é um produto barato e baixa qualidade, é porque os importadores querem pagar o menor valor possível e abrem mão da qualidade.

Mas porque os importadores preferem os produtos de baixa qualidade?? Porque o empresário deve ouvir seus consumidores e oferecer o que o mercado quer. Brasileiro quer preço baixo sempre (ou 99%), e se recusa a pagar um pouco a mais para ter um produto de qualidade superior. Por isso, os empresários vão focar nos produtos baratos.

Exemplos: IPhone é fabricado na China e tem qualidade e desempenho inquestionável.

Por outro lado, se você visitar uma loja de R$1,99, provavelmente tudo lá será Made in China. Você espera que esse produto tenha qualidade ou que seja praticamente descartável?

Hiprocrisia de quem compra produto Made in China, mas reclama do desemprego e quebra das indústrias nacionais !

A invasão de produtos chineses no Brasil e no mundo é tema frequente no mundo empresarial e também na vida de todos consumidores brasileiros. Ouço cada vez mais as pessoas criticando esta invasão de produtos chineses que tiram o emprego de milhares de brasileiros e destroem nossas fábricas. Isso é fato. Mas são estes mesmos hipócritas que compram cada vez mais produtos chineses no Brasil. Seja em grandes lojas, no centro, na Internet, na maioria das vezes temos a opção de comprar um produto nacional ou um produto importado. E como sabemos aquele feito na China vai ser mais barato, e muitas vezes (mas nem sempre) de qualidade inferior ou duvidosa. Ou seja, brasileiro só quer saber de preço baixo e troca produtos brasileiros renomados por marcas chinesas completamente desconhecidas, com acabamento pior e que não gera empregos na indústria brasileira.

Não devemos em hipótese alguma culpar o importador deste produto ou o empresário nacional por trocar seus empregados brasileiros pela terceirização de produção na China. Quem manda no mercado é o consumidor. Empresa que não oferece o produto que o consumidor procura, acaba fechando. Nenhuma empresa sobrevive contrariando a vontade do consumidor.

A liberdade de escolha do consumidor é o grande direito adquirido pelo capitalismo. Então o empresário deveria ter a mesma liberdade de poder escolher o que oferecer a seus clientes. Se o cliente quer produto chines barato, então vamos todos importar da China.

Estou indo viajar para a Feira de Cantão na China para aumentar minhas importações da China. Isso vai abrir muitas portas, muitas oportunidades para minha empresa, já que meus maiores concorrentes já fazem o mesmo e estou perdendo cada vez mais terreno.

Aumentar impostos de importação é esconder o sol com a peneira !

De acordo com esta noticia que li no IG, o governo vai elevar os impostos de importação de 100 produtos.

http://economia.ig.com.br/2012-09-04/governo-sobe-imposto-de-importacao-de-100-produtos.html

Esta é a medida que não requer nenhum esforço do governo… uma canetada e está tudo pronto. Todos os impostos no Brasil já são altos. Importar qualquer produto, por mais baixo que seja o imposto de importação, já custa bastante. O que o governo sempre fez foi tapar o sol com a peneira. Transformar o Brasil em uma bolha contra produtos importados não vai resolver o problema. Apesar de dar um fôlego extra a indústria nacional e manter alguns empregos, isto apenas irá retirar a opção do consumidor por produtos importados que muitas vezes oferecem qualidade diferenciada. Isso irá apenas manter o Brasil com produtos na idade da pedra.

Se realmente o governo quer incentivar a indústria nacional (como a minha), ele deve reduzir os impostos dos produtos fabricados no Brasil, incentivar o investimento em maquinário para modernização do nosso parque industrial e dar condições para nossa indústria brigar no mercado mundial, mesmo com produtos importados da China.

Esta atitude do governo isola o Brasil no mercado mundial, e também, sem incentivar a modernização das indústrias, nunca conseguirão exportar e crescer mundialmente. Se a indústria nacional não consegue competir com importados dentro do nosso próprio quintal, como iremos ter condições de exportar nossos produtos para qualquer outro país.

Chega de políticas imediatistas e burras.

Porto de Vitória e Itajaí oferece benefícios gigantescos para importadores.

Acho injusto que estados possam oferecer benefícios tão grandes a empresas importadoras. Os portos de Vitória e Itajaí atraem novas empresas oferecendo gritantes benefícios no ICMS. As cargas tributárias no Brasil são tão altas que qualquer pequeno incentivo já representa muita coisa. Empresas maiores sempre tem condições de abrir escritórios de fachada para obter estes benefícios. Hoje é Vitória e Itajaí, amanhã poderá ser qualquer outro porto do Brasil. Minha empresa que não é grande, nunca terá condições de ficar fazendo esta dança de cadeiras, abrindo e fechando escritórios a medida que os benefícios vem e vão. Não acredito que estes benefícios trouxeram efetivo desenvolvimento para estas regiões pois como falei, são apenas escritórios de fachada, onde os lucros e a geração de empregos ocorre em outros estados onde fica a verdadeira sede da empresa.