Quando a lei desfavorece a empresa, a lei é feita para ser cumprida. Quando a lei desfavorece um funcionário, querem fazer um acordo.

A CLT, como todas as leis no Brasil, é muito detalhista, onerosa para as empresas e rígida. Muitas empresas, assim como a minha, já tem gastos muito altos com os encargos trabalhistas, por isso, seguimos tudo o que a CLT diz, mas também não temos gordura para oferecer muito além do que a lei estabelece. Afinal, lei é para ser cumprida.

Funcionários de modo geral, depois de conseguirem um benefício, já incorporam aquilo como direito adquirido e em pouco tempo irá pedir mais, esquecendo dos benefícios já conquistados. Isso também acontece com novos funcionários que não viveram o tempo em que aqueles benefícios não existiam e foram conquistados.

Os pontos que atualmente estão gerando mais questionamentos pelos funcionários na minha empresa é o DSR (Domingo Semanal Remunerado), Pontes dos Feriados, flexibilização das férias e nosso “prêmio assiduidade”. A lei diz que quem não obedece os horarios de trabalho, não terá direito ao DSR. Apesar de haver uma tolerância na empresa, os funcionários sempre pedem mais tolerância. Os funcionários também reclamam sobre as emendas de feriados: não querem compensar. Uma alternativa seria descontar os dias pontes das férias anuais, mas a lei não permite. Temos também um prêmio assiduidade para quem chegar todos os dias no horário. Quem chega sempre no horário, ganha valores extras (100%) no vale alimentação. Quem atrasa até 30 minutos, ganha 50% deste premio. Acima de 30 minutos não ganha.

Implantamos este prêmio pois o conceito do DSR não funciona pois os funcionários trazem um atestado médico falso e acabam ganhando o DSR da mesma maneira, Mesmo com atestado médico verdadeiro, a empresa fica prejudicada e com a produção reduzida, por isso, sempre achei justo a empresa não ter que pagar o prêmio se o funcionário não estiver lá produzindo. Nosso prêmio independe de atestado. Na época em que começamos a oferecer o prêmio, todos ficaram felizes. Agora já nos perguntam se poderia haver alguma tolerancia para 100% do prêmio e reclamam que a empresa é muito rígida. Ora bolas, quem se atrasa um pouco continua ganhando premio, porem 50%. Mas na cabeça das pessoas, eles sempre querem criar mecanismos ou alternativas para ganhar 100% de qualquer prêmio ou benefício.

O conceito mais claro na minha cabeça para a questão que o funcionário e o sindicato sempre querem fazer acordo quando a lei não os favorece é o pedido de demissão. Os funcionários sempre querem fazer acordo e pedir para serem mandados embora. O funcionário que não for mandado embora, vai fazer corpo mole até que a empresa se convença que é melhor pagar as multas da recisão do que manter um peso morto na empresa. Nesse ponto, o funcionário tem a faca e o queijo na mão e a empresa fica impotente para mandá-lo embora por justa causa, mesmo tendo um funcionário claramente improdutivo.

Funcionário insatisfeito é igual uma maçã podre numa cesta cheia de maças.

Impressionante como as pessoas se espelham nos maus funcionários. Como uma pessoa remando contra consegue desestabilizar um barco com 10 pessoas remando a favor. Essa é a característica da maioria. Pegue um grupo de 10 pessoas: uma pessoa trabalha duro e cumpre todas as regras, e tem outra é mais preguiçosa, atende as ligações durante o expediente e fica batendo papo. Provavelmente os demais vão começar a agir igual ao preguiçoso e discriminar o trabalhador que dá o sangue.

Falo pelos outros mas também por mim. É natural haver este relaxamento se você é a unica pessoa trabalhando duro, e as demais fazendo tudo devagar. É mais ou menos isso que ocorre com os servidores públicos que tem estabilidade e não tem chefes.

É fundamental que a empresa crie mecanismos e incentivos aos funcionários mais produtivos, mas isso na prática requer um controle e organização muito grande que poucas empresas conseguem implantar com sucesso. Por isso, esperamos das pessoas e valorizamos muito as pessoas proativas, que fazem as coisas sem ter que ficar cobrando tudo sempre e ainda proponha melhorias. Empresas que não recompensam os melhores funcionários acabam perdendo-os ou fazendo com que todos entrem no sistema nivelado por baixo. Como a CLT é rigida, adota o principio da isonomia ao pé da letra e direitos adquiridos, muitos empresários como eu nem sabem como implantar um sistema de recompensa justo que não implique reclamações trabalhistas futuras ou grandes prejuízos nas épocas de vacas magras. Uma empresa tem os momentos melhores e acabamos concedendo algumas regalias, mas quando a empresa passa por épocas de aperto não podemos voltar atrás. Somos sempre obrigados a pensar a longo prazo e arriscar pouco.

Funcionários descontentes nunca pedem as contas, fazem corpo mole para serem mandados embora

A famosa frase “Pede pra Sair” não serve para as empresas. Me convenci nos últimos anos que grande parte dos funcionários que estão descontentes com seu emprego se recusam a pedir demissão. Nos últimos 3 anos, já tive 3 funcionários que vieram conversar comigo pedindo que eu os mandasse embora. Além destes, conheço mais 2 ou 3 casos que já declararam para todo mundo que não estão satisfeitos. Pensamos então o que os faz acordar todos os dias e passar o dia inteiro fazendo uma coisa que eles não gostam?

As leis impões condições muito diferentes quando um funcionário pede as contas ou quando a empresa demite um funcionário. Estou falando da multa do FGTS, seguro desemprego, entre outros. Isso se torna mais gritante para funcionários com 5, 10, 20 anos trabalhando na mesma empresa. Esta situação é um caso típico em que a lei coloca o empregado contra a empresa, joga o patrão (visto como poderoso) e o empregado (coitado). Os sindicatos e os “comunistas” adoram colocar o empresário contra os trabalhadores e apoiar estas leis conflitantes. Já mencionei em outro artigo que não concordo com a multa de 40% do FGTS e que o papel de ajudar um cidadão desempregado é do governo, através de um seguro desemprego digno.

Não vejo problemas em um funcionário chegar para mim e falar sinceramente que não tem mais vontade de trabalhar na minha empresa. Depois de muitos anos fazendo a mesma coisa e infelizmente não ter tido grandes promoções que todos desejam, é normal que as pessoas fiquem desmotivadas e queiram procurar outras oportunidades em outras empresas. Na realidade existem inumeros motivos para uma pessoa ficar insatisfeita no trabalho, mesmo com boa remuneração. É o direito de todos escolher o que achar melhor para si. Ultimamente o mercado está aquecido e provavelmente conseguirá outro emprego rapidamente. Só que se ele quer sair, então que escreva sua carta de demissão e siga as leis (que não foram inventadas pelos empresários). Nossa empresa já fez acordos com funcionários para serem mandados embora, mas depois não devolveram a multa do FGTS. Além de que todos os próximos funcionários vão começar a pedir para serem demitidos com acordo, como se fosse um “direito adquirido” que a empresa tem que fazer com todos.

A maioria dos funcionários preferem ao inves disso fazer corpo mole, ficar batendo papo com todo mundo, causar problemas, faltar ao serviço apresentando atestados, e em casos extremos causar sabotagens, atender mal os clientes e falar mal da empresa para todos os funcionários. Todos sabemos que não conseguiremos provar qualquer malandragem desta que justifique “justa causa”, então na prática, acaba sendo melhor para a empresa mandá-lo embora porque o prejuízo de manter um funcionário desmotivado e influenciando negativamente os outros é maior do que as verbas recisórias. Mas as verbas recisórias são muito altas e muitas empresas não tem condições de arcar com tudo isso.

Mesmo a saída de um funcionário poderia ser programada. O funcionário fala que quer sair, eu contrato um novo funcionário para ser treinado para substituí-lo, e incentivo a pessoa a procurar um novo emprego não descontando do salário eventuais saidas para entrevistas de emprego. Ooops. Isto na realidade já existe e chama-se “aviso prévio”. Também na prática não funciona muito pois os empresários ficam com medo de que durante o aviso prévio o funcionário poderá prejudicar a empresa de alguma forma, apagando dados dos computadores, influenciando outros funcionários, atendendo mal os clientes, etc. Já vi muito isso acontecer.

Note que mesmo que o funcionário fique totalmente improdutivo, fazendo corpo mole, a empresa continua cumprindo sua parte, pagando seu salário integralmente e dando todos os benefícios da lei.

Assim como na maioria dos meus artigos, menciono que eu não quero generalizar. Existem muitos funcionários que dão o sangue pela empresa, vestem a camisa e não fazem este tipo de coisa.