Sedex sofre roubo a cada 9 horas. Quem paga esta conta é o empresário novamente.

Já não á a primeira vez que ouço sobre algumas áreas de risco para entrega de Sedex, mas eu não imaginava que era tão grave assim. Um roubo a cada 9 horas é demais. Escolta para os funcionários dos Correios parece até piada. Agora é motorista e ajudante num carro com os pacotes e outro carro (de escolta) com dois seguranças, afinal, a bandidagem está bem equipada e mandar somente 1 segurança não adianta. Ou seja, 2 carros e 4 pessoas para enviar o seu secador de cabelo de R$100 que você comprou na Internet.

Pergunte agora ao Procon quem deve pagar pelo produto roubado que não foi entregue ao consumidor? É claro que é o empresário. E prepare sua equipe de vendas pois os consumidores vão ligar inconformados porque demoraram para receber o produto. Meus clientes que compram por internet pagam via internet no cartão de crédito hoje e querem receber a mercadoria amanhã. Muito exigentes mesmo.

Após tomar algumas vezes na cabeça e termos cargas roubadas, percebemos a importancia de pagar o seguro sobre todas os pedidos. E não é barato. O desafio das vendas pela internet tem sido o alto custo do frete, pois assim, apenas produtos mais caros ficam viáveis para serem comprados online. Produtos de baixo custo é muito difícil de vender por internet pois o frete pode ficar quase o mesmo preço do produto. Agora que temos que adicionar o valor do seguro, o preço final para o consumidor fica ainda mais caro. Vale lembrar que como este valor de seguro tem que ser embutido na nota fiscal, pagamos imposto também sobre este valor de seguro, pois qualquer valor adicionado na nota fiscal é tributado integralmente. O produto fica com preço absurdo e o cliente não compra, ou seja, as vendas desaparecem e a empresa não prospera. E vai ter sempre aquela uma empresa que tem o preço mais barato que o seu porque não paga o valor do seguro para o Sedex, não emite a nota fiscal direito, não tem nome a zelar no mercado, roubando os clientes de empresas que querem fazer tudo “direitinho”.

É inadmissível que uma empresa de frete como os Correios tenham que gastar dinheiro com segurança. E nós empresários que já pagamos tantos impostos, temos que nos especializar em segurança também. O empresário tem mesmo que entender de tudo para sobreviver: impostos, leis trabalhistas, transporte, segurança… Gastamos tempo aprendendo sobre segurança, ao invés de cuidar do que a empresa faz: vender, motivar funcionários, estudar o mercado.

O famoso custo Brasil aparece novamente. Depois as pessoas se perguntam porque as coisas são tão caras no Brasil e ficam achando que as empresas tem lucros exorbitantes.

http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/sp/2013-04-08/a-cada-9-horas-sedex-sofre-um-roubo-na-grande-sao-paulo.html

Greve dos caminhoneiros: preços dos alimentos sobem (na última greve quando faltou combustível, aumentar o preço do combustivel era crime)

Conforme vemos nos noticiários em geral, a greve dos caminhoneiros está causando aumento dos preços de alimentos pelo Brasil. Viagens mais longas, mais alimentos estragados, entre outros fatores, acabam aumentando os custos dos alimentos, que são repassados ao consumidor, seguindo também a lei da oferta e da demanda.

O que eu não entendo é: por que quando houve a greve dos caminhoneiros que deixaram de transportar combustível, os postos de combustível foram proibidos de subir os preços e alguns ainda foram presos ?? Como se a greve tivesse sido causada pelos donos de postos de gasolina !?!? Alegaram que os donos estavam sendo oportunistas para ganhar mais dinheiro. Na realidade os postos de gasolina PERDERAM muito dinheiro, afinal, mesmo com preços mais altos, o volume de vendas caiu quase a zero. Não tenho posto de gasolina, mas imagino que eles passaram por muitas dificuldades, porque vendendo ou não, com greve ou não, existem os custos fixos e contas para pagar do mesmo jeito.

http://g1.globo.com/espirito-santo/noticia/2012/07/greve-de-caminhoneiros-afeta-preco-de-alimentos-no-es.html

Frete no Brasil: caro e demorado. A difícil missão de embutir o valor do frete no produto e/ou incluir o custo do frete na nota fiscal.

Quando fazemos vendas de pequenas quantidades, normalmente para consumidores finais, a maioria das empresas acabam usando os Correios pois o Sedex tem um preço muito bom e tabelas fáceis para consulta de preços para todo o Brasil. Porém, quando falamos de vendas corporativas ou mesmo objetos mais volumosos e pesados, todas as empresas de pequeno e médio porte sofrem demais para fazer a cotação com as transportadoras. As grandes empresas normalmente tem grande volume de entregas para várias regiões e por isso conseguem fechar contratos com preços competitivos e tabelas fáceis de serem consultadas. Agora vou listar as dificuldades das empresas em conseguir um custo de frete competitivo (e mais abaixo o alto custo de embutir o valor do frete na nota fiscal):

a) O Brasil é grande demais e o transporte é sempre rodoviário com estradas péssimas;

b) Não existe uma única transportadora com tarifas competitivas para todos os lugares do Brasil. Para cobrir o Brasil inteiro, precisamos de pelo menos 20 transportadoras diferentes. Cada transportadora é especializada em uma região ou cidade diferente onde ela tem uma freqüencia grande de entregas. Pedir para uma mesma transportadora realizar entregas em outra região sairá muito caro pois o volume é muito baixo.

c) O preço dos combustíveis sofre muita variação, assim como outros custos. Com isso, as cotações das transportadoras devem ser atualizadas sempre. Não podemos contar com uma tabela fixa para o ano todo. Isso faz as empresas perderem muito tempo pois precisamos ficar cotando com várias transportadoras para todos os orçamentos que passamos. Quando um cliente pede uma cotação de nosso produto, precisamos enviar o custo do frete também. Cotamos em 5 transportadoras diferentes, e como sabemos, nem todas as cotações se convertem em vendas. Muitas vezes o cliente muda de idéia e pede mais uma cotação por exemplo para 1 caixa, para 5 caixas e para 10 caixas de nosso produto. O custo do frete não é linear, o que gera inúmeras combinações. Isto também gera uma insegurança com os clientes pois cada pedido que ele faz terá um custo final diferente. O cliente sempre exige que os preços sejam os mesmos do ultimo pedido, mas infelizmente temos que dizer que o produto terá sim o mesmo preço, mas o frete pode variar para cima ou para baixo.

d) Para facilitar a vida dos vendedores e também dos clientes, seria um sonho poder embutir uma porcentagem sobre o valor do produto referente ao frete, mas são poucas as empresas que tem a sorte de conseguir trabalhar desta maneira. O preço do frete é sempre uma incógnita.

e) A maioria de nossos clientes quer que o valor do frete seja embutido no valor da nota fiscal para facilitar o pagamento e chegar tudo no mesmo boleto, ao contrario de um boleto extra da transportadora. Colocar qualquer valor na nota fiscal gera cobrança de impostos, inclusive o frete. Para uma venda para São Paulo, por exemplo, uma empresa paga 18% de ICMS + outros impostos que totalizam mais de 25%. Como o cálculo dos impostos no Brasil tem que ser feitos por “dentro”, estes 25% viram 33%. Ou seja, um frete que custe R$100, precisaremos cobrar R$133 do cliente. Isso além de encarecer a operação, gera questionamentos para os clientes “menos informados”. Se o cliente pedir o comprovante da transportadora verá o valor de R$100, mas verá R$133 na nota fiscal. Parece até enganação do fornecedor, mas são apenas os impostos que incidem sobre os valores da nota fiscal.

f) Transportadoras muito baratas normalmente oferecem um serviço ruim, não são capazes de rastrear a carga rapidamente, muitas vezes atrasam demais a entrega, perdem a carga e acabam queimando o filme do fornecedor e aborrecendo os clientes. Ou seja, a transportadora boa cobra caro, mas nossos clientes não querem pagar caro. Ficamos num beco sem saída.

g) Descobrimos as transportadoras realmente eficientes somente após várias entregas. Ou seja, com aqueles clientes que não fazem compras regularmente, somos obrigados a trabalhar com transportadoras desconhecidas pois nunca enviamos um pedido para aquela região específica.

h) Empresas que ficam dentro do centro expandido de São Paulo (e outras capitais) sofrem demais com o rodízio, restrições de horário e transito carregado.

i) Com todas estas questões de manutenção do caminhão, motorista, variação constante dos combustíveis, rodízio, restrição a tamanho de caminhão e zoneamento, pedágios, cada vez mais as empresas se veem obrigadas a terceirizar o serviço com transportadoras experientes. Está cada vez mais difícil para uma pequena ou média empresa conseguir calcular precisamente o custo de ter sua própria frota de caminhões e o real custo das entregas para cada cliente.

j) A burocracia durante o recebimento de mercadorias das empresas está cada vez mais complicada e em alguns casos leva horas. Muitas vezes os clientes não tem estacionamento e não tem onde parar o veículo para entrega, que além do stress para o motorista, acaba levando multas por estacionamento irregular ou acabam atrapalhando o trânsito. Nesses casos, a cotação da transportadora será automaticamente acrescida de uma taxa extra de espera que não estava programada. A transportadora repassa este custo para as empresas, mas o cliente nunca quer pagar o valor adicional. Outras transportadoras simplesmente desistem da entrega pois o motorista tem uma lista grande de entregas e não podem esperar. Mesmo sem realizar a entrega, algumas transportadoras fazem a cobrança do mesmo jeito pois enviaram o caminhão e não tem culpa do cliente ser tão enrolado.

l) Quando a carga é danificada durante o transporte, ou mesmo perdida, ou atraso na entrega, sempre começa uma guerra entre o fornecedor e o cliente pois ninguem aceita arcar com o prejuízo. A transportadora após muita briga irá reembolsar apenas um valor irrisório e/ou não teremos como provar a culpa da transportadora. O fornecedor irá dizer que a carga saiu intacta do armazem, e o cliente simplesmente se recusará em pagar pelo produto. As vezes o próprio cliente danifica a carga e também não vai assumir.

O que vemos então que a questão do frete e o relacionamento com as transportadoras é algo muuuito mais complexo do que parece. Por isso, o mais seguro e econômico é deixar o frete por conta do cliente (ou que ele indique a transportadora de preferência com quem já tem um relacionamento mais longo e uma tabela especial de preço com encomendas regulares).