Nova lei no Chile limita prazo de pagamento em 30 dias para pequenas e médias empresas.

Em um artigo anterior, já escrevi sobre os prazos cada vez mais longos que as grandes empresas exigem de seus fornecedores até matá-los: 45, 60, 90, 120 dias, o céu é o limite. (https://wordpress.com/post/empresarioheroi.com/1687). Sugerem até mesmo que você feche um contrato com um banco para pagar uma “modesta taxa de desconto” para antecipar o recebimento.

E não é que o Chile está em vias de aprovar uma lei limitando o prazo máximo de pagamento em 30 dias para pequenas e médias empresas. Isso facilita em muito a vida do pequeno empresário que precisa muito do fluxo de caixa para operar uma empresa saudável e investir no crescimento. O Brasil precisa incentivar e facilitar a abertura de pequenas empresas, dar mais oportunidades para novos negócios por todos os cantos do país. Devemos lembrar que é a pequena empresa é de longe a maior geradora de empregos no Brasil.

https://home.asech.cl/noticias/detalle/4502/senado-aprueba-la-ley-de-pago-a-30-dias

https://www.economia.gob.cl/2018/07/27/proyecto-de-ley-reducira-plazos-de-pago-a-30-dias-para-pequenas-y-medianas-empresas-proveedoras.htm

 

Empresário também é composto por “negros, mulheres, [pessoas] da periferia”, analfabetos… ou seja, pessoas comuns.

Apesar da matéria ser uma notícia não muito boa que mostra que os pequenos negócios diminuiram, por outro lado, mostra que empresário também é pessoa comum, ex-empregados, pessoas de todas as condições sociais, ou seja, acessível a qualquer um.

http://economia.ig.com.br/financas/seunegocio/2013-05-15/numero-de-pequenos-negocios-no-pais-diminuiu-segundo-ipea.html

As pessoas tem que dismistificar que empresário é aquele cara milhonário que fica na praia tomando caipirinha o dia inteiro na vida boa e andando de carro importado. Na realidade, todos os empresários que conheço são as pessoas que mais trabalham em suas empresas, fazem horas extras constantes, não viajam e pensam 24 horas na empresa.

São pessoas comuns, de várias classes sociais, negro, branco, novos, meia idade, idosos… Muitos ex-funcionários que sabem como funcionam os dois lados: do funcionário e do patrão.

Infelizmente a grande maioria da população não faz a menor ideia do que é tocar uma empresa e parece que tudo joga contra o empresário. A medida que mais pessoas partem para o negócio próprio, mais há debate e conscientização das dificuldades dos empresários no Brasil que não há em nenhum país desenvolvido do mundo.

Lembre-se que um empresário também figura como consumidor em muitas situações pois também tem que ir nas lojas fazer compras, mas infelizmente, nenhum consumidor se coloca na pele de empresário e só querem saber do seus direitos e empurrar todas as responsabilidades e custos para as costas do empresário.

A nova lei do e-commerce é positiva, mas discordo totalmente do prazo de 7 dias para desistência com frete a ser pago pelo empresário.

Novas exigências para o e-commerce são bem positivas para os empresários e também para os consumidores e conferem maior credibilidade às lojas virtuais, mas tem um ponto que discordo totalmente: o direito de desistência de 7 dias com custos de frete por conta do empresário.

http://startups.ig.com.br/2013/nova-lei-do-e-commerce-nao-deveria-ser-novidade-para-as-lojas-online/

Conforme o link acima, todas as lojas já deveriam estar adaptadas às novas leis. Eu como consumidor já tive muitas dificuldades com lojas virtuais que não divulgavam nem mesmo um telefone para contato. Isso é o mínimo.

O que discordo completamente é empurrar o custo do frete para o empresário. Conforme outros artigos meus aqui no blog, o custo de frete no Brasil é uma fortuna e no caso de desistência, o empresário paga o frete de ida e volta, além de ter que re-embalar o produto.

Se todos os produtos fossem do tamanho de um CD ou livro, tudo bem, porém temos que levar em consideração que hoje se compra tudo por internet: desde CD e livro, até geladeira e fogão.

Por que comprar numa loja virtual tem leis diferentes em relação a uma loja física? A lei já determina mencionar endereço da empresa, por isso, o consumidor tem a opção de visitar a loja e verificar o produto. Só não visita porque não quer. Não quer perder tempo nem custo de viagem. Toda loja virtual hoje exibe fotos de vários ângulos e todos os detalhes técnicos. Mesmo que não mencione todas as informações possíveis, basta digitar o nome e código do produto no google para aparecer dezenas de páginas, ou seja, falta de informação também não é desculpa para os tempos de internet que vivemos em que qualquer criança de 5 anos já usa com facilidade e faz todo tipo de pesquisa.

Vale salientar que o cliente por livre e espontânea vontade entrou no site e fez a compra. Diferente de um telemarketing que fica ligando e enchendo o saco tentando te empurrar um produto.

Outro ponto é que a maioria das compras que fazemos via internet são de produtos que alguém nos indicou ou vimos em algum lugar. Dificilmente alguém compra uma coisa e chega outra completamente diferente ou algo inesperado.

Tem uma venda que fiz para o interior do Sergipe. O produto custa R$350 e o frete ficou mais de R$50 pelo PAC. O cliente quer devolver sem ter qualquer defeito de fabricação e depois de falar bastante com minha vendedora. Agora vou ter que aceitar o produto de volta e ainda morrer com mais de R$100 de preju??

Muitas lojas virtuais são pequenos empresários tão duros quanto qualquer consumidor. R$100 é muito dinheiro de prejuízo. Não tem sentido empurrar custos ao empresário sem ter qualquer culpa no caso. Ainda mais pequenas empresas que concorrem com grandes empresas com margens bem apertadas.

Outro caso que acontece com certa frequencia é quando os correios não fazem entrega no destino por motivos de segurança/roubo e o cliente também não quer ir retirar na agencia dos correios. Mais uma vez, o custo fica com a empresa. Ou mesmo quando o cliente não está em casa e o Sedex faz todas as tentativas em vão e devolvem o pacote.

Uma loja virtual é uma excelente porta para empreendedorismo pois possui baixo custo de implantação e precisamos tornar isso um negócio atraente e não dificultar e desestimular a abertura de novos negócios.

Começar nova empresa, seu marketing plan e suas expectativas

Mais uma vez, recebi um convite de um amigo meu para importar produtos da Ásia e abrir uma nova empresa em sociedade com ele. Estou sempre aberto a novas ideias e pretendo pensar um pouco mais no assunto. Agora vou colocar umas considerações que já me vieram na cabeça:

a) Só quem já teve empresa sabe das dificuldades de se iniciar um negócio. Muitas pessoas estão cansadas de serem empregados e querem tomar conta do próprio nariz, mas este sonho gera um otimisto desproporcional, parecendo tudo mais fácil e rápido. Principalmente aquelas pessoas que trabalham em grandes empresas com grande estrutura, em que tudo acontece e funciona sozinho. Você será o RH da sua empresa, será o Comercial, o motorista, o controle de qualidade, o financeiro, o comprador, etc.

b) Fiz pós graduação em Marketing nos EUA, aprendi a fazer um Marketing Plan muito bem feito. Infelizmente todas as vezes que montei um marketing plan, a coisa deu errado. Para as duas empresas que tenho hoje, nunca fiz um marketing plan. Para alguns produtos que já tentei importar e outros negócios que tentei com amigos, perdemos semanas ou meses fazendo o marketing plan, e novamente, nada do que planejamos funcionou. Mais importante do que fazer um Marketing Plan é ter tudo bem claro na sua cabeça e fazer bastante masturbação mental. Todas as pesquisas são válidas, mas levamos muito tempo para formalizar as idéias e colocar tudo no papel. Gaste esse tempo pondo a mão na massa.

c) Quando for prever as despesas e as receitas: as despesas podem ser pesquisadas e mais precisas. Suas previsões de despesas provavelmente estarão certos, talvez aparecendo alguns extras. Por outro lado, as receitas serão totalmente chutadas. Estas receitas eu tenho certeza que você ira errar feio. Colocar um produto novo no mercado, construir seu nome leva meses, ou anos.

d) Se sua empresa ficar no Zero a Zero no final do primeiro ano, parabens!!! Muitas vezes a empresa começa a dar um pouco de dinheiro depois do segundo ano. Isso quando não fecham antes disso.

e) Não acredite que você consiga ter sucesso em sua nova empresa sem se dedicar em período integral. Já ouvi algumas pessoas sonhando em ter o negócio próprio enquanto trabalha em outra empresa para garantir seu salário no final do mês. Se alguém conseguir isso, me ensina a receita. Na verdade, você terá (e vai querer) trabalhar dia, tarde e noite. Ainda hoje, depois de mais de 10 anos na vida de empresário, faço muitas horas extras.

f) Não de um passo maior do que a perna. Não invista todo seu dinheiro de uma única vez. Esteja preparado para imprevistos. Prefira começar pequeno e com gastos menores, e ir crescendo aos poucos. Você verá que a medida que você ganha experiencia no seu mercado, você precisará fazer mudanças no seu produto, na sua empresa, etc, e isso gera gastos extras.

g) Nós, pequenos empresários, temos menor estrutura e fortes restrições de investimento, por isso, estamos na corda bamba o tempo todo.