CLT inflexível dificulta relação funcionário x empresa nos dias de jogos do Brasil na Copa do Mundo

Estas semanas de Copa do Mundo no Brasil têm causado grandes prejuízos a todas as empresas no Brasil não envolvidas ao turismo. As vendas despencaram pois todo mundo só quer saber dos jogos e empurram suas decisões para frente, como acontece com o Carnaval (muitos dizem que o Brasil só começa a funcionar depois do Carnaval). Com vendas ou sem vendas, os salários e outros custos fixos tem que ser pagos.

Quando tem jogo do Brasil, os funcionários saem mais cedo, e quando o jogo não é do Brasil, todos dão uma enroladinha básica para tentar acompanhar o jogo seja na televisão, radio, internet, etc. Ou seja, a produtividade cai bastante.

Agora todas as empresas enfrentam o dilema: como fazer nos dias de jogos do Brasil ?? A compensação destas horas é super inflexível e deve respeitar várias regras mas o que se tem feito é trabalhar  30 minutos a mais nos dias seguintes até pagar todas as horas. Como esta decisão deve ter votação dos próprios funcionários, valendo a democracia, sempre tem muita gente reclamando porque é um assunto controverso:

Os funcionários não querem ter que compensar, então alguns preferem sair apenas 1 hora antes do jogo começar. Alguns vão chegar após o começo do jogo e vão pegar transito com certeza.

Outros gostariam de sair na hora do almoço para ter mais tempo de festejar, entrar no clima, se reunir com os amigos e fazer umas compras antes do jogo (cerveja, sorvete, salgados, etc).

Tem ainda a turma que concorda em ter desconto das horas na folha de pagamento, pois não querem trabalhar a mais por várias semanas seguidas.

O pior é ver o governo decretando feriado, ou seja, as empresas que são obrigadas a pagar a conta, ou ouvir do prefeito para que as empresas liberem seus funcionários mais cedo para diminuir o transito, quando na realidade isto é uma decisão que cabe ao funcionário de como eles aceitam pagar as horas.

A alternativa que percebo ser melhor para a empresa e para o funcionário é proibida por lei. Descontar os meio períodos das férias dos funcionários. Esta idéia foi muito bem recebida por todos com quem falei, mas a lei não permite, ou seja, a empresa que fizer isso pode levar na cabeça e ter que pagar as férias em dobro e com multa no futuro. Imagina o seguinte: o Brasil jogando 6 vezes durante a semana, faria os funcionarios sairem ao meio dia e perderem 3 dias de férias. Afinal sair 30 dias de férias ou 27 dias não faz muita diferença. Por outro lado, compensar 30 minutos por vários meses ou trabalhar de sábado parece ser bem mais sacrificante.

Banco de horas é outro tema bastante conflitante (apesar de possível mediante acordo sindical e muita burocracia), então vejo que enquanto as leis não forem flexibilizadas, muitas decisões não vão agradar nem as empresas e nem os empregados. Esta é apenas uma situação de muitas em que a empresa fica engessada para propor idéias melhores para seus funcionários sem correr riscos jurídicos.