Licença saude pelo INSS causa pânico as empresas e funcionários. Saúde no Brasil está caótica e deixa empresários com altos prejuízos e funcionários morrendo nas filas dos hospitais

Passei estes últimos três meses por casos graves de saúde dos meus funcionários e sem saber como agir (legalmente nem emocionalmente). A saúde pública no Brasil (e até mesmo a privada de menor custo) está uma porcaria muito grande. Incluo nesta lista os planos de saúde mais baratos que atendem grande parte dos brasileiros porque também está muito ruim.

Para começar, qualquer pessoa que precisa de um pronto socorro atualmente tem que esperar muitas horas para ser atendido, seja no público ou privado. Ou seja, mesmo para casos de doenças simples, as pessoas perdem o dia inteiro dentro de um pronto socorro. Quem paga isso? A empresa é claro que paga o salário normalmente, DSR, etc, e perde um dia de produção. E o funcionário passa o dia inteiro sofrendo com dores. Como todo mundo sabe que vai perder o dia inteiro na fila, acaba nem indo pro pronto socorro para os casos mais simples e trabalha com dor mesmo.

Outro ponto que causa grande problema e dúvidas trabalhistas: muitos hospitais e pronto socorros não emitem mais atestado médico. Agora é só comprovante de comparecimento. Ou seja, legalmente o funcionário pode ser descontado pois não apresentou um atestado assinado pelo médico, só que cada vez mais os sindicatos estão exigindo que as empresas aceitem estes tais comprovantes. A empresa sabe que o funcionário foi lá, com o horário que chegou e saiu, mas mal sabemos o que ele foi fazer lá, normalmente impresso num papel velho xerocado sem carimbo e uma assinatura muito suspeita cada vez num padrão diferente e nenhuma informação. Um prato cheio para os funcionários mal intencionados.

Vou relatar agora os casos recentes que tive:

1) Um funcionário começou a apresentar duas vezes por semana estes atestados de comparecimento. Ouvi de alguns colegas que ele era hipocondríaco e sempre achava que estava doente, por isso, ia sempre se consultar. A empresa pagando todas as horas não trabalhadas. Até o momento que chamei ele para conversar. Ele comentou que estava se sentindo fraco e por isso estava indo muito no médico. Ele tem plano de saude mas mesmo assim, os medicos mal olhavam na cara dele e não encontravam nada (e o plano tinha somente um médico conveniado naquela especialidade com fila enorme para consulta). Até que um dia um outro médico resolveu estudar o assunto a fundo e pediu um exame de pulmão coletando material para biópsia. Ai começou o drama pois o plano de saúde indicava alguns hospitais para realizar o exame, mas ao contata-los nenhum desses hospitais aceitavam aquele convenio. Após 1 semana, questionei porque o funcionario nao tinha feito ainda o exame e foi aí que descobri a burocracia toda e resolvi colocar uma reclamação formal contra o plano de saude. Com isso, conseguimos o agendamento do exame, mas para a biopsia, precisávamos de outra aprovação do plano. Até que conseguimos a outra aprovação e o exame a ser realizado na semana seguinte. Durante este tempo todo, nenhum médico forneceu atestado para ele se afastar do trabalho por mais de 1 dia. Ou seja, quase 1 mes sentindo mal estar, faltando com atestado ou rendendo muito pouco no trabalho. O problema agora é que o resultado só vai sair em 3 semanas. Enquanto isso, o funcionário mais falta do que comparece. A empresa pagando todos os dias. Os médicos dizendo que são obrigados a esperar o resultado do exame para poder afastá-lo ou não, ou até mesmo para indicar um remédio. Até este momento, ele não podia tomar remédios pois não sabia que doença tinha. A empresa que presta assessoria para estes assuntos me disse que não adianta mandar o funcionário para o INSS pois se não tiver nada comprovado, o INSS recusa e a empresa é obrigada a pagar por todos os dias em que ele ficou afastado.Tenho ouvido que o INSS tem sido cada vez mais rigoroso e recusando a licença médica, o funcionário é obrigado a voltar a trabalhar e a empresa pagar todos os dias de afastamento, e não somente os 15 dias iniciais. Não sei se virou lei, mas está escrito na maioria das convenções coletivas.

2) Outros 2 funcionários que estavam de fato doentes, mas como eles sabem que o INSS é uma porcaria e demora meses para pagar, eles pegam no máximo 14 dias de atestado médico. Como sabem que a empresa vai parar de pagar depois de 15 dias e envia-los ao INSS, eles fazem questão de voltar ao trabalho um dia antes. Voltam doentes, mal conseguem trabalhar e a empresa fica obrigada a pagar tudo normalmente.

3) O pior caso é este funcionário que está com um tumor, já está afastado mas já faz mais de 2 meses e ainda não faz a menor ideia quando o hospital vai abrir uma vaga para operá-lo. Ele está fraco, enjoado e comendo pouco. O tumor dele não é maligno, por isso, jogam ele sempre para o final da fila (vão esperar ele morrer para operar?). Ele entrou pelo INSS, a empresa não está tendo custos, mas se a operação já estivesse feita, ele com certeza iria voltar a trabalhar bem antes. Durante esse tempo todo o funcionário sofrendo horrores e a empresa esperando o retorno dele tendo que se virar diariamente para cobrir sua ausência. Ele esperou quase 3 meses para ver a cor do dinheiro do INSS/governo. A empresa fez adiantamentos para ele não ficar sem dinheiro para o remédio e fizemos uma vaquinha geral para ajudá-lo, senão iria até passar fome. Enquanto isso, a saúde pública deixa todo mundo morrendo nas filas. Os funcionários chegam para mim pedindo ajuda, licenças remuneradas, adiantamentos, reclamando de dores e claro que nos envolvemos emocionalmente. É uma situação terrível que me deixa muito triste, mas por alguns momentos, não podemos facilitar demais pois a empresa também tem muita conta para pagar e precisamos produzir. Teria aqui muitos outros exemplos somente deste ano. O governo não dá a minima para a saúde pública. O INSS criado para remunerar os funcionários doentes se recusa em pagar os funcionários e mais uma vez a conta é paga pelo empresário. Claro que sinto muito por essas pessoas, mas sendo o foco do blog falar sobre a empresa, dou ênfase nos prejuízos e dificuldades que o empresário tem.

Furtos dentro das empresas aumentam enquanto empresas são condenadas por pedir certidão de antecedentes criminais.

Isso não é novidade para mim, mas fiquei novamente revoltado em ver uma decisão do TST de multar a empresa Alpargatas por pedir uma certidão de antecedentes criminais durante a contratação.

http://www.jornaldaordem.com.br/noticia_ler.php?id=33719

Está cada vez mais comum o furto de objetos pessoais dentro das empresas. São funcionários roubando funcionários ou a própria empresa. Infelizmente a insegurança no pais inteiro está refletindo fortemente dentro das empresas. Ninguém mais pode confiar em ninguém nem mesmo num colega de trabalho. As pequenas empresas (inclusive a minha) que sempre dizemos ser uma “família”, mas infelizmente hoje é difícil tratar seus funcionários como família. Agora todo mundo tem que esconder seus bens de valor, colocar cadeados nos armários, esconder tudo, e minhas funcionárias até exigem a instalação de mais trancas, paredes e portas com chave com medo de sofrerem violência não só de visitantes, mas também de ex-funcionários que as vezes aparecem para resolver alguma pendência. Enquanto isso, a justiça do trabalho impede qualquer tipo de verificação criminal, e permite expor todos os trabalhadores a bandidos de todos os tipos. Como se não bastasse toda a grana que gastamos com seguros de carga, segurança privada, assaltos constantes, seguro de carro, câmeras de segurança e toda parafernália eletrônica para ficarmos seguros, agora temos que desconfiar e nos proteger dos nossos próprios colegas de trabalho sem direito a conhecer seu histórico.

Por fim, eu pergunto, se um funcionário roubar o outro dentro da empresa, e o funcionário entrar na justiça por perdas e danos… aposto que a empresa será obrigada a pagar por isso, e o ladrão não vai nem ao menos poder ser mandado embora por justa causa. Afinal, é praticamente impossível despedir por justa causa no Brasil porque o funcionário está sempre certo e não teremos provas cabais para acusá-lo do roubo.