Nem a Rede Globo escapa de pagar multas ao governo.

Pouco tempo após eu publicar um artigo sobre uma multa bilionária da Petrobrás, vejo que a Rede Globo também não escapou. Sim, tida como uma das empresas mais poderosas do Brasil que tudo pode… Isto reitera a complexidade das leis brasileiras e custo Brasil. Nem mesmo uma Rede Globo tem condições de pagar os impostos de acordo com a lei. Se pagar tudo conforme manda a cartilha, fecha as portas. A outra opção é ter um enorme time de advogados para encontrar brechas na lei para reduzir o impacto dos impostos, e ficar sempre sujeito a diferentes interpretações e multas milhonárias. É gente, nem mesmo as grandes pagam todos os impostos… imaginem as pequenas… como sobrevivem?

Veja meu artigo anterior abaixo…

https://empresarioheroi.wordpress.com/2013/06/15/multa-da-petrobras-de-r7-bilhoes-por-suposta-divida-tributaria-mostra-que-todas-as-empresas-no-brasil-ficam-na-mao-dos-fiscais-do-governo-e-podem-fechar-as-portas-a-qualquer-momento-com-leis-desatual/

 

Estacionamento do Anhembi reflete os governos no Brasil: caro, sem estrutura e aceita gorjetas.

Minha empresa estava com um stand na feira FISPAL Tecnologia 2013 no Anhembi e o estacionamento por lá sempre foi a maior dor de cabeça para expositores e visitantes. Depois de algumas melhorias realizadas nos últimos anos, passou de terrível para sofrível: ampliação da área, cancelas automáticas, postes iluminados indicando o numero das ruas para facilitar localização do seu carro, uma pintura devido a Formula Indy, e só isso.

Chegando você paga absurdos R$30 por dia. Expositores pagam a mesma coisa e estacionam no mesmo lugar dos convidados. Em vários horários, formam-se demoradas filas para entrar no estacionamento (e na saída também devido a problemas nas cancelas automaticas). Colocaram cancelas automáticas, mas somos obrigados a passar por cabines para efetuar o pagamento logo na entrada. Porque não colocar caixas ao lado do estacionamento como qualquer centro de eventos privado?

O estacionamento foi ampliado, o que significa que sua chance de estacionar bem longe e andar bastante é grande.  Mesmo assim, ainda é necessário que os carros fiquem estacionados em fila dupla, fila tripla, atravessado em vários cantos impróprios no maior aperto.

Se chover, de nada vai adiantar você colocar aquele sapato novo para chegar apresentável. Você pode escolher passar por cima das poças de água (piscinas ao ar livre) ou para fugir das poças você anda pelas áreas com grama e barro. As modelos dos stands não sei como fazem estas horas.

Nenhuma área é coberta. A equipe do estacionamento sempre sinaliza para você ir para a parte mais longe do estacionamento. O fato de eles não indicarem quando há uma vaga disponível perdida no meio não é motivo de reclamação, mas o problema é que eles só mostram estas melhores vagas se pagarmos uma caixinha. Pagando uma caixinha, eles deixam você até estacionar na área para idosos ou deficientes.

Flagrei algumas vezes pessoas abrindo a janela do carro e dando dinheiro para estes funcionários do estacionamento, inclusive na área de deficientes, sem deficientes no carro. Flagrei jovens estacionando o carro na área para idosos sem nenhuma fiscalização.

Comparando com estacionamentos privados: no padrão do Anhembi custariam bem mais barato, ou se for para pagar caro, podemos falar de shopping center: vários andares, vagas cobertas, sem chuva e barro, sempre perto de um elevador.

Porque ainda não colocaram sensores nas vagas e sinalização indicando quantas vagas estão disponíveis em cada corredor ou área. Assim saberiamos exatamente onde estão as vagas e onde elas estão.

Infelizmente este é o retrato das empresas gerenciadas pelo governo, prefeitura, etc. Cheia de dificuldades, caras, não funcionam direito para você ter que pagar propina para não ficar perdido no meio do lixo.

Para onde que vai toda essa arrecadação com estacionamento do Anhembi? Eles já ganham muito dos organizadores de feiras, e muito mais com estacionamento. Posso afirmar que esta dinheirama não vai para investir na própria infraestrutura do local e bem estar dos expositores e convidados.

E olha que estamos falando (creio) do maior centro de exposição do Brasil, pelo menos onde as maiores feiras estão.

Obras públicas são sempre demoradas e levam o comércio próximo a falência.

Vemos pela noticia abaixo que as obras para estádios para Copa do Mundo arruinaram a vida de muitos comerciantes da região. O governo com sua ineficiência, leva anos ou décadas para obras que poderiam ser feitas em muito menos tempo.

Moro próximo da Rua dos Pinheiros em São Paulo. As obras do metrô fecharam a rua (e proximidades) por vários anos. E mesmo aqueles que não precisaram necessariamente fechar as portas, conviveram por anos com clientela praticamente zero, muito barulho, sujeira, infestação de pragas, e por ai vai. Qual empresa tem caixa para sobreviver sem faturamento por vários meses ou anos? O que fazer com os trabalhadores contratados? Custos de demissão são imensos. Mantê-los também não tem sentido de portas fechadas.

Os donos dos imóveis até são recompensados com grande valorização depois das obras, mas ficam no prejuízo por anos até que isso aconteça. Os comerciantes se ferram pois não resistem ao longo dos meses.

Estou esperando pra ver se a reforma da Feirinha da Madrugada vai realmente durar 2 meses, conforme prometeu o governo.

Apagão de mão de obra no Rio. Faltam 5.000 padeiros. Quantas vezes já ouvimos isso.

A cidade do Rio de Janeiro está com falta de padeiros. Estimam que este apagão de mão de obra representa entre 3.000 e 5.000 vagas abertas nas padarias. A reportagem cita a difícil condição dos padeiros que trabalham em horários complicados, que realmente todos sabemos.

Se padeiro está em falta, imagina outras áreas mais técnicas em que a formação do profissional leva de 2 a 5 anos. Digo isso pois minha industria não consegue encontrar profissionais qualificados e acabamos contratando quem aparece mesmo sem conseguir entregar o que precisamos, nem atender corretamente o cliente, tapando buraco. Este aprendizado leva muito tempo e não temos motivos para dar aumentos salariais para quem não tem formação na área e acaba sendo ineficiente por isso. Estes acham que são “engenheiros” mas não tem nem o curso “técnico” e se sentem injustiçados pelos baixos salários.

Os padeiros estão preferindo trabalhar na construção civil que está pagando mais. A dificuldade é que as empresas e padarias não tem condições de aumentar salários. Todos sabemos que o mercado de imóvel e construção está aquecido e como estão ganhando fortunas com imóveis, os salários dos trabalhadores aumentam.

A população é a favor de aumentos salariais e sindicatos fortes pressionando aumentos salariais, mas não querem pagar mais caro no pão nosso de cada dia.

Para a indústria fica ainda mais difícil. Como aumentar salários e custos se os produtos importados estão entrando com tudo no Brasil. Mesmo com o dólar subindo, ainda assim nossas indústrias estão sofrendo bastante… seja com a alta produtividade, eficiencia e qualidade da Europa e Estados Unidos, ou também, os preços extremamente baixos da China.

Isso é a livre concorrência. Mercados mais lucrativos aumentam salários (neste caso a construção civil), enquanto outros são obrigados a reduzir custos, cortar salários e funcionários. Sempre vai haver certas profissões mais valorizadas com salários mais altos e outras profissões com salários mais baixos. Ocorre que os trabalhadores e sindicatos não aceitam esta livre concorrência e saber que existem momentos de alta e outros de baixa. Nessas baixas, empresas quebram e/ou demitem em massa.

http://odia.ig.com.br/noticia/economia/2013-06-18/padarias-do-rio-sofrem-apagao-de-mao-de-obra.html

Haddad: não jogue para os empresários pagarem a conta do transporte público!

Estou inconformado em ouvir o prefeito de São Paulo Haddad dizendo que os empresários em outros países pagam um terço da conta do transporte público e no Brasil apenas 10%, conforme o link abaixo. Segundo ele, em algumas cidades do mundo o custo do transporte público é dividido igualmente entre governo, empresário e usuário.

Não tem cabimento o governo jogar mais um dever do Estado para ser pago pelos empresários. Vão criar algum imposto novo para isso?

Devido a desorganização e vários outros fatores, é muito comum os funcionários pegarem vários meios de transporte para chegar no trabalho por morarem longe. Isso representa um alto custo de transporte para as empresas. Minha empresa por opção minha não desconta nada do funcionário, mas pela lei, pode-se descontar uma parte do funcionário, mas ainda assim, na maioria das vezes a grande parte deste custo de transporte já é do empresário. Tem funcionário com salário de menos de R$1.000 em que a empresa gasta quase R$250 de transporte. É um valor totalmente desproporcional e injusto tanto com a empresa como com o usuário. Já imaginou a ineficiencia em gastar 25% de um salário com vale transporte?

Quando o Haddad fala sobre outros países, precisamos lembrar que o transporte no exterior é sempre melhor que no Brasil e custa bem mais barato. Ou seja, se os empresários pagam um terço no exterior, devem pagar menos do que já pagam as empresas no Brasil. O Haddad fala em 10% mas não sei da onde ele tirou essa informação.

Um link abaixo mostra que o Brasil possui a tarifa de ônibus mais cara do mundo. Mas é importante considerar o custo de vida e salário mínimo também. Então não pegue o valor e converta em dólares. Considere o gráfico no final da página (dentro do link) que compara o custo do transporte com o salário minimo… ai sim temos uma comparação justa.

Se os custos do transporte são altos, é porque todos os custos das empresas de transportes são inflados com impostos e custos: seja no custos trabalhistas inflados, impostos sobre combustíveis (entre os mais altos do mundo), pneus, manutenção, etc.

E por último: se o governo foi ineficiente em construir metrôs e uma malha de transportes iguais a de outros paises de primeiro mundo, porque agora o prefeito quer jogar estes custos de ineficiência e negligência nas costas dos empresários? 

Infelizmente, a sociedade (ou pelo menos a maioria das pessoas) já se acostumaram a jogar a culpa nos empresários. Só podemos culpar empresários aqueles que participam de máfias criadas pelo próprio governo ou entidades de classes como sindicatos e afins, e este é um grupo extremamente pequeno que faz grandes danos. Possivelmente o transporte público também é regido por empresas de ônibus que tem rabo preso com político e manipulam licitações. 

http://noticias.band.uol.com.br/cidades/noticia/?id=100000607229#foto1

http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/noticia/2013/06/grafico-tarifas-de-transporte-publico-pelo-mundo.html

Empresários: abracem a causa. Protestos pelo Brasil refletem altos impostos sem retorno nenhum para a população, enquanto os políticos esbanjam nosso dinheiro.

A criação deste meu blog foi exatamente a revolta contra o governo e a impossível missão de manter uma empresa no Brasil. Vejo com estes protestos, que esta revolta não é só minha. Ninguém sabe apontar o que é pior no Brasil pois é tudo péssimo.

Minha empresa paga um absurdo de impostos, por isso, naturalmente não temos como pagar salários dignos. Assim como a maioria das pequenas e médias empresas, a média salarial fica entre R$1.000 e R$3.000… alguns poucos entre R$5.000 e R$6.000. Dos funcionários são descontados vários valores estipulados por lei. O governo não dá absolutamente nada, então deste salário o brasileiro paga mais impostos, pagamos altos valores com transporte, gasolina, remédio, plano de saude particular, e todos produtos que compramos com valores inflados pelos altos impostos. No final do mês não sobra nada de dinheiro. A classe trabalhadora praticamente vive uma vida muito simples e não pode contar com nenhum serviço público.

Então os custos com mão de obra ficam altos para as empresas e os funcionários ficam sempre achando que ganham pouco, afinal, nunca sobra nada no final do mes tanto para as empresas como para os funcionários. Qualidade de vida péssima para todos e muitas horas perdidas no transito por semana.

A maioria das empresas mal tem condições de manter o imóvel em ordem. Os máquinários normalmente ultrapassados e obsoletos. Computadores novos é um privilégio de poucas empresas.  Paredes mal pintadas. Puxadinhos, gambiarras e salas improvisadas. Nenhuma empresa tem dinheiro sobrando.

Realmente a situação é um caos total tanto para empresários como a população em geral.

E depois vemos políticos com dezenas de assessores ganhando fortunas, funcionários fantasmas, deputados trabalhando no máximo 2 dias por semana. Corrupção por todos os lados, desperdício de dinheiro público, salários exorbitantes e entidades públicas virando cabide de empregos.

O governo fica por décadas sem investir em metro e agora toda a população sente isso na pele. Transito insuportável, chegando numa situação de difícil solução. Afinal, como reduzir o custo da tarifa dos ônibus se eles ficam o dia inteiro parados no transito? Temos cidades (o país inteiro) ineficientes que entraram num círculo vicioso difícil de sair.

Espero que estas manifestações resultem em mudança efetiva.

Quer saber como é tratar com peão de fábrica ou mão de obra desqualificada, pergunte para quem tem empregada doméstica.

Minha esposa estava reclamando do mal comportamento e falta de comprometimento da nossa empregada doméstica após mais de 2 anos com a gente. Vale dizer que ela é registrada e sigo rigorosamente as leis trabalhistas. É raríssimo encontrar alguma pessoa que não troque constantemente de empregada ou que esteja totalmente satisfeita. Ouço bastante “não estou satisfeito/a mas sei que não vou encontrar melhor”. Quem encontra uma empregada doméstica comprometida, não quer perde-la por nada.

Terminei a conversa com ela dizendo: você está irritada e não sabe o que fazer tendo 1 empregada em casa, imagina eu que tenho dezenas na minha empresa.

Como este tipo de conversa entre “peão” e “patrão” nunca será totalmente imparcial e verdadeira, vou tentar discutir alguns pontos que percebi ao longo dos anos e tentar me colocar do lado do “peão” e do “patrão” fazendo analogia com a empregada:

– a faixa salarial de empregada doméstica fica entre R$600 e R$1.000. Seja na minha casa ou em outra qualquer, isso será o que ela receberá. Realmente com este salário, qualquer pessoa leva uma vida apertada;

– poucas famílias teriam condições de pagar acima disto;

– trata-se de mão de obra desqualificada, ou seja, qualquer pessoa com boa vontade tem condições de fazer;

– o serviço que a empregada faz hoje será o mesmo hoje ou daqui a 2 anos: lavar, passar, cozinhar, limpar, ou seja, serviços gerais de casa. E mesmo que agregue novas funções, serão tarefas que não requer qualificação. Exceto se a família ficar maior, não haverá aumento significativo do trabalho a ser realizado e que não possa ser realizado dentro das 44 horas semanais que estipula a CLT.

Acredito que é um pouco da natureza humana uma acomodação ao longo dos meses ou dos anos fazendo a mesma coisa. A limpeza começa a não ser feita da mesma maneira, as roupas começam a ficar manchadas, quebradeira de prato e copo, etc. A essa altura já temos que começar a chamar a atenção. Neste ritmo, o clima começa a ficar cada vez pior. Esta acomodação fica potencializada pelo fato do salário ser baixo e por isso, este processo de descontentamento ocorre mais rápido por parte do empregado.

Fazendo um paralelo em uma empresa, ocorre a mesma coisa com ajudantes de produção, operadores de máquina, pessoas contratadas para carregar e descarregar material, etc. Já ouvi também funcionário dizendo “não ganho para isso” (para mim essa frase não se justifica pois foi o funcionário que aceitou o emprego, inclusive o salário. Se não concorda com o valor ou com as atividades, então peça demissão). A diferença que existia até pouco tempo, é que um funcionário de empresa nunca pede a conta para não perder a multa do FGTS, seguro desemprego, entre outros benefícios. A empregada não tinha custos rescisórios, por isso, era mais fácil a empregada procurar outro emprego ou o patrão mandar embora. Agora que as domésticas gozarão dos mesmos benefícios, os empregados vão começar a agir cada vez mais errado para serem mandados embora e ganhar os benefícios que correm por conta do “patrão”.