Rescisão indireta dobra em 4 anos. Mais um motivo para não diferenciar os direitos para “ser demitido” e “pedir demissão”!

Esta notícia da Folha diz que em 4 anos, dobrou o caso de rescisão indireta, ou seja, o funcionário considera que a empresa cometeu algum erro grave e por isso pediu demissão, mas sem perder os direitos de quem é mandado embora.

Sempre defendi que os direitos dos empregados deveriam ser os mesmos para “ser mandado embora” ou “pedir as contas”. Uma vez que o funcionário deixa de ganhar dinheiro ao “pedir as contas”, um funcionário insatisfeito será fortemente incentivado a fazer corpo mole e agir sem atenção ou faltas (com atestado médico) para ser mandado embora. Este é apenas um de vários métodos artificiais criados por ambas partes. Agora vemos o aumento de ações trabalhistas para investigar a rescisão indireta de funcionários insatisfeitos. Mais ações, mais burocracia, mais morosidade no sistema.

Os direitos sendo iguais, um funcionário irá trabalhar na empresa porque quer, e sair quando quiser. Isso irá realmente aumentar a rotatividade, mas ter funcionários trabalhando com má vontade ou “remando contra” também não adianta, ou até contamina negativamente a empresa. É melhor que vá mesmo.

Leis que criam proteções artificiais não valem a pena nem para o funcionário nem para a empresa.

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/1213888-numero-de-empregados-que-demitem-o-patrao-dobra-em-4-anos.shtml

3 comentários em “Rescisão indireta dobra em 4 anos. Mais um motivo para não diferenciar os direitos para “ser demitido” e “pedir demissão”!

  1. Michel disse:

    Eu trabalhei como funcionário público no meu país de origem. Meu salário era muito bom. Porém, quando pedi demissão após 10 anos, recebi só 3 meses mais ou menos.

    Aqui no Brasil, a rescisão custa caro demais. Quem ficou só 4 meses na empresa pode ganhar 5 meses ou mais dependendo do caso. E isso tudo para quem nem prestou! Porque a “multa” do FGTS?

    Esse esquema completamente absurdo encoraja corpo mole. Não entendo porque aqui no Brasil é tudo feito para incentivar comportamentos irresponsáveis. Se o sistema encoraja e beneficia os idiotas, só vai ter funcionários irresponsáveis.

    O sistema deveria beneficiar os bons, não os ruins.

    • LucianoFreire disse:

      Ola Michel, fiquei curioso em saber em qual país voce nasceu e quais são os encargos trabalhistas e/ou direitos para funcionarios demitidos ou que pediram as contas.

      • Michel disse:

        Luciano,

        Desculpe por não ter respondido mais cedo. Eu vi só agora sua pergunta.

        Eu nasci no Japão e morei nos EUA, na França e num país africano. Passei a maioria do meu tempo de adulto fora do Japão. Quando eu falo de problemas absurdos no Brasil, estou pensando mais em países ocidentais do que no Japão.

        No Japão, as empresas podem contratar legalmente funcionários temporários. Eles podem ser demitidos facilmente e não recebem rescisão. Tem muitos trabalhadores assim. Quando a economia do Japão estava crescendo, eles não tinham problema, mas agora eles fazem parte da classe baixa e tem pouca chance de conseguir emprego de verdade com todos os direitos.

        No Brasil, é normal trocar de trabalho. (No Japão, é muito mal visto ficar trocando.) É tão normal que tem muitos “funcionários” que ficam só um dia ou dois na empresa. Eles somem às vezes sem falar nada para ninguém. Acho muito irresponsável. Pessoas assim não deveriam receber nenhuma rescisão, mas o sistema do Brasil obriga a empresa a pagar sempre alguma coisa. A empresa é punida … mas por qual motivo?

        No Japan, a maioria não abandona o emprego assim se são funcionários de verdade. Então é difícil comparar os 2 países. No Japão, tem que ficar muitos anos para receber uma rescisão boa.

        Na página abaixo, tem comparação de custo de demissão entre o Japão e o Brasil.

        http://www.nationmaster.com/compare/Brazil/Japan/Labor

        Brasil … 36,8 semanas de salário
        Japão … 8,6 semanas de salário

        Esse tipo de estatística pode ser afetado muito pela taxa de cambio, etc., mas eu sei que as empresas japonesas não precisão pagar rescisões absurdas para quem ficou pouco tempo. Quanto ao valor do salário, é ainda muito mais alto no Japão.

        Eu já não sei mais os detalhes dos direitos no Japão. Lá as pessoas não se preocupam tanto pois poucas empresas fazem coisas erradas. Os funcionários não ficam falando dos “MEUS direitos!” como no Brasil. O Brasil tem milhões de processos trabalhistas por ano. Ao que eu saiba, o Japão tem só 10,000. Esse número pode aumentar com os problemas econômicos, mas nunca será como no Brasil.

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