Creches públicas: mais uma responsabilidade que o governo quer transferir aos empresários (entre várias outras).

Em vários dos meus artigos eu menciono o excesso de obrigações que o governo transfere para o empresário. Os serviços públicos são tão ruins que as empresas são praticamente obrigadas a arcar com vários custos extras (mais detalhes no final).

Agora a prefeitura quer “convocar” empresas “com responsabilidade social” para criar e manter creches com atendimento público. Ou seja, cada vez mais pagamos impostos e cada vez mais o governo tira o corpo fora sem oferecer serviços públicos de qualidade.

Sou totalmente a favor da privatização de todos os serviços públicos no Brasil porque aqui nada público funciona. Quer dizer, até pode funcionar mas com muita corrupção. Só que uma empresa privada ter que se especializar em um ramo de atividade totalmente diferente para poder ser considerada “com responsabilidade social” já é demais. Qualquer empresa no Brasil já tem “responsabilidade social” por conceito. Geramos empregos, cumprimos uma CLT cheia de benesses, férias remuneradas, e cumpre funções que deveriam ser do Estado.

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,prefeitura-quer-que-empresa-faca-creche-,988491,0.htm

Seguem abaixo alguns custos que recaem sobre as empresas:

pagar por educação e saúde aos funcionários (plano de saúde e cursos extras), custear os dias de falta por motivo de saúde do funcionário (pagar funcionário que não produz deveria ser pago pelo governo e atualmente o INSS começa a pagar apenas após 15 dias), custear um dia de folga para doação de sangue, pagar um aviso prévio longo e fundo de garantia alto (que deveria ser função do seguro desemprego do governo), previdencia privada porque a pública não garante aposentadoria digna, meia entrada para estudantes, curso de idiomas, empréstimos financeiros (o governo não ofecere opções sem cobrar juros exorbitantes), onibus fretados/veículo/gasolina pois o transporte público é precário, segurança para seus funcionários-clientes-mercadorias (seguros, segurança, alarme, grades, cameras), altos pedágios pois as rodovias públicas são terríveis, diversos tipos de estabilidade para o trabalhador (gravidez, saúde, recrutamento militar, CIPA, entre outros). proibição de mandar funcionários embora (mesmo pagando todos os direitos como no caso da Gol-Webjet, GM, etc).

Depois de mostrar várias obrigações e custos que as empresas tem hoje, podemos dizer que todas as empresas tem “responsabilidade social” e que mais ninguem (nem o governo) oferece tanta coisa para a população ou tem tanta responsabilidade.

Como em todos meios, existem empresários honestos e desonestos, ricos e pobres, e por ai vai.

Canso de ver diálogos, comentários e leis que tratam empresários como bandidos e/ou exploradores. Assim como qualquer profissão, existem os bons empresários e os maus empresários, mas não admito que façam essa generalização. O Brasil possui sim muita desigualdade social, muita pobreza e nada funciona, mas não podemos culpar os empresários por isso. Lembro que a maioria das empresas do Brasil são micro, pequenas ou médias, ou seja, são ex-empregados que juntaram suas economias para abrir sua própria empresa, empreendedores que começaram do zero com muita luta para chegar onde estão hoje.

Por isso, acredito que a maioria dos empresários são bem intencionados e honestos, mas também existem muitos empresários mau intencionados. Quando a coisa envolve dinheiro, todas as pessoas mudam. Podemos encontrar pessoas dentro de nossas próprias famílias que são vagabundas ou gostam de levar vantagem! Mas também tenho certeza que em qualquer família tem muita gente honesta e trabalhadora. Assim são os empresários. Mesmo porque pessoas mal intencionadas não progridem e o feroz mercado não permite empresários desonestos, incompetentes ou mal intencionados. Quem é desonesto com um funcionário, também será com seus fornecedores, clientes, parceiros, governo, etc. Dura pouco tempo!

Outro dia vi o dono de um restaurante que matou um cliente com uma facada no litoral. Este ato abominável com certeza irá fechar o restaurante dele. Quero dizer que mesmo que a justiça não coloque ele na cadeia, o mercado ou os clientes nunca vão retornar lá.

Na mesma semana, dois clientes mataram o dono de outro restaurante por motivo banal em outra cidade. Ou seja, vemos de tudo nessa vida.

Rescisão indireta dobra em 4 anos. Mais um motivo para não diferenciar os direitos para “ser demitido” e “pedir demissão”!

Esta notícia da Folha diz que em 4 anos, dobrou o caso de rescisão indireta, ou seja, o funcionário considera que a empresa cometeu algum erro grave e por isso pediu demissão, mas sem perder os direitos de quem é mandado embora.

Sempre defendi que os direitos dos empregados deveriam ser os mesmos para “ser mandado embora” ou “pedir as contas”. Uma vez que o funcionário deixa de ganhar dinheiro ao “pedir as contas”, um funcionário insatisfeito será fortemente incentivado a fazer corpo mole e agir sem atenção ou faltas (com atestado médico) para ser mandado embora. Este é apenas um de vários métodos artificiais criados por ambas partes. Agora vemos o aumento de ações trabalhistas para investigar a rescisão indireta de funcionários insatisfeitos. Mais ações, mais burocracia, mais morosidade no sistema.

Os direitos sendo iguais, um funcionário irá trabalhar na empresa porque quer, e sair quando quiser. Isso irá realmente aumentar a rotatividade, mas ter funcionários trabalhando com má vontade ou “remando contra” também não adianta, ou até contamina negativamente a empresa. É melhor que vá mesmo.

Leis que criam proteções artificiais não valem a pena nem para o funcionário nem para a empresa.

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/1213888-numero-de-empregados-que-demitem-o-patrao-dobra-em-4-anos.shtml

Governo exige impostos não pagos da Natura. Todo ano, vemos grandes empresas sonegando impostos. Não tem como sobreviver de outra maneira.

Várias vezes por ano, vemos grandes empresas que são sonegadoras de impostos ou se envolvem em escândalos tributários. Como a carga tributária no Brasil é totalmente sufocante, todas as empresas são obrigadas a inventar maneiras de reduzir gastos com impostos. Isso é muito comum em pequenas ou médias empresas e posso chamar de normal esta sonegação. Mas ao longo dos meus anos, eu percebi que isso também é muito comum em grandes empresas. Realmente não é fácil de ver isso pois é muito bem maquiado, além do fato do fiscal sempre perdir um dinheiro por fora para fechar os olhos.

As grandes empresas tem um setor tributário especializado em descobrir brechas na lei ou analisar a super rebuscada e complexa lei tributaria brasileira. Por varias vezes, podem existir várias interpretações com diferentes alíquotas de impostos. É claro que sempre escolhemos a opção com menos impostos, mas o governo sempre acha o contrário, exigindo que paguemos pelo máximo.

Escrevi este artigo para mostrar que não são só as pequenas que sonegam. Pois nem mesmo grandes empresas conseguem sobreviver com tanta carga tributária. Se elas que são grandes e rentáveis e se submetem a estes riscos, imaginem as pequenas empresas. Já comentei anteriormente que minhas empresas com apenas 60 funcionários recolheram mais de R$1 milhão de reais em 2012… vendo que o governo não dá saúde, educação, nem moradia nem nada, é muito dinheiro…. é muita corrupção no governo. Campanhas para combater sonegação não faz sentido pois o governo já recolhe muito mais do que qualquer outro país. Reduzam os impostos primeiro, para depois querer combater sonegação !!

http://economia.ig.com.br/empresas/industria/2013-01-07/receita-exige-da-natura-r-6278-milhoes-em-impostos-nao-recolhidos.html

http://www.brasildefato.com.br/node/688

Minhas empresas com total de 60 funcionários pagaram R$1, 2 milhões em impostos! Imagina quanto poderia ser feito com tudo isso!

Fechei o balanço de 2012 com um número alarmante. Somando todas as guias efetivamente pagas, nos 12 meses, paguei um pouco mais de R$1,2 milhões em impostos. Se estes valores retornassem para cada um de meus quase 60 funcionários, teriamos em torno de R$1.700 por mês para cada funcionário. Supondo que 50% deste valor fosse retido para o funcionário, teriamos R$850 por mes. Neste valor, podemos facilmente pagar um plano de saúde coletivo, educação, uma parcela de um financiamento de uma casa popular, ou seja, oferecer tudo que o governo deveria conceder, mas não dá nada! Ainda sobraria mais 50% para reverter ao resto da população. Não estou falando de uma vida de luxo, mas uma qualidade muito acima do que estamos acostumados na rede pública. Isto cobriria todas as necessidades básicas das famílias que trabalham comigo.

Quando ouço que o desemprego no Brasil está em 5%, imagino o quanto de dinheiro está vazando ralo abaixo se cada funcionário representar isso tudo de impostos.

Tenho certeza que meus funcionários, nem a maioria da população faz ideia de todos estes impostos que são pagos pelos empresários. Temos que levar em conta que além disso, todas as pessoas físicas também pagam impostos, através do imposto de renda ou todos os impostos embutidos nos produtos que compramos, IPTU, IPVA, e todos aqueles impostos que estamos acostumados.

Posso garantir que o governo levou a maior fatia do bolo. Mais do que todos meus funcionários, mais do que todos os sócios, mais do que todos meus fornecedores. O governo é nosso sócio majoritário, mas tipo “funcionário fantasma” que nunca aparece e só recebe o contra cheque no final do mes. Não temos lucro, nem condições de fazer investimentos. Vejo pequenas, médias e grandes empresas que mais parecem puxadinhos, funcionários espremidos, estoques subdimensionados, muitas paredes sem uma pintura bem conservada, telhados velhos, muitas funcionando sob lonas baratas, divisórias de papelão, e por ai vai.

Isso é comunismo ou socialismo, quando o governo leva tudo. E infelizmente a máquina do governo é totalmente ineficiente e corrupta, e não reverte nada para a sociedade.

E ainda ficam lançando campanhas contra sonegação fiscal e “exija sua nota fiscal”… querem ganhar mais ainda??? Assim não sobra pra ninguem, nem para os empresários, nem para os funcionários.