Um fiscal usa as mesmas estratégias de um sequestrador: ameaça e pânico.

Não sei se isto continua acontecendo tão agressivamente assim (pelo que ouço, não mudou muito). Uma pessoa mal educada, ríspida, com perguntas vagas e sem se identificar entrou em contato por telefone pedindo para falar com um fulano. Por coincidência, o primeiro nome do fulano era o mesmo nome de um dos sócios da empresa, por isso, a chamada foi encaminhada a este funcionário ao invés do sócio da empresa. Ainda muito enigmático, esta pessoa insistia que queria falar com o dono da empresa. Nosso funcionário entrou em pânico pela maneira que a pessoa falava, e por isso não respondia objetivamente as perguntas, o que deixou a pessoa ainda mais furiosa. Em algum momento a pessoa se identificou como um fiscal, mas não deu seu nome completo e apenas deixou um número de celular para retorno. Ou seja, por 2 dias, todos na empresa, inclusive eu, achavamos que fosse algum preso passando trote ou ligando de algum presídio. Estes celulares pré-pagos em poder de prisioneiros tornou-se fato comum hoje em dia. Mesmo nossa contabilidade comentou que nunca tinha visto um primeiro contato desta maneira de um fiscal.

No final das contas, ele realmente era um fiscal, e não um sequestrador. Fez a visita pessoalmente, se identificou. Inverti os papéis, e tive eu que pedir desculpas pelo ocorrido. Ele solicitou vários documentos e arquivos digitais que foram passados pela nossa contabilidade. Fiscal quando quer, fica procurando pelo em ovo até encontrar alguma irregularidade. Afinal nossas leis são intermináveis e permitem várias interpretações. Depois ele ficava ligando direto no meu celular particular dizendo que meus arquivos digitais estavam errados e fazendo ameaças que a empresa iria receber infrações. A contabilidade passou várias vezes e comentou que muitos fiscais mais antigos mal sabem ligar o computador, imagina então para usar os programas que abrem os arquivos digitais. Minha contabilidade insistiu que fazemos tudo direitinho e não precisava temer a fiscalização (100% direito nenhuma empresa no Brasil faz, eu me encaixo nuns 90%), por isso, nunca titubiei ou passou por minha cabeça oferecer propina pro fiscal (que já está acostumado com isso). Depois de toda pressão, o fiscal não encontrou nenhuma irregularidade, ou viu que a empresa não dava muito lucro e que não conseguiria extorquir muito dinheiro. Na verdade, encontrou um erro cuja multa deu um valor irrisório, que eu paguei com muito gosto e encerramos o caso.

Ao finalizar o caso, tive que ir retirar toda a documentação com o fiscal. Fiquei impressionado como ele me tratou bem, estava bem humorado, me insistiu para tomar um café, puxou papo e tudo. Ou seja, no final das contas ele é uma pessoa normal, que tem família, filhos, é bem humorado, mas que está acostumado a vestir uma máscara e ser outra pessoa quando vira “o fiscal”.

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